Tratar patologias através do cérebro
A Biopsicoterapia ou descodificação biológica de patologias é uma terapêutica, pouco conhecida no nosso país, que decorre do cruzamento da Biologia, do estudo dos mecanismos cerebrais e do estudo da memória.
Em Braga é praticada por Alain Jézéquel, acupunctor e biopsicoterapeuta, que no começo dos anos de 1990 descobriu e passou a estudar a “Medicina Nova” de Hamer, um médico alemão que atribui a um trauma afectivo o aparecimento de doenças como o cancro.

Texto e Foto: Jorge Oliveira (Diário do Minho)
Os seguidores de Hamer consideram que a patologia é sempre resultado de um “hiper-stress” que obriga uma parte do cérebro, a que chamam “cérebro arcaico”, a entrar em funcionamento para lançar uma solução de adaptação. «Quando aparece o sintoma geralmente a pessoa não tem consciência do stress que o originou. O sintoma é uma compensação do sofrimento, a resposta a uma dificuldade em viver um aspecto da realidade. Todas as patologias são medidas de adaptação que o cérebro lança face ao stress; são memórias de soluções de sobrevivência que foram necessárias para a adaptação do homem ao longo da evolução», explica Alain Jézéquel, indicando que a resposta a uma situação de confronto pode acontecer ao nível da pele, dos brônquios, do comportamento, através de um desmaio, entre outras formas; tudo depende do vivido emotivo no momento do choque e da informação de stress que o cérebro deve gerir.
Um dos trabalhos do biopsicoterapeuta consiste em ajudar o paciente a descobrir o que desencadeou a patologia e levá-lo a adoptar uma nova atitude face à doença para assim chegar à resolução do problema. Por vezes, esse exercício é feito com recurso a uma TAC (Tomografia Axial Computorizada) ao cérebro. As imagens da TAC permitem aceder a uma leitura dos conflitos e uma compreensão da estrutura psíquica da pessoa.
Uma das premissas assenta no pressuposto de que o cérebro manda e gere o organismo durante todo o ciclo vital do homem. Do espirro ao carcinoma, da gripe aos diabetes o cérebro está sempre presente; age com uma grande precisão principalmente na altura de optar por uma determinada estratégia de adaptação (patologia).
Segundo Alain Jézéquel, a doença «deixa de ser vista como uma aberração ou a expressão de um processo anárquico para ser considerada como um mecanismo de resposta (bio)lógica de sobrevivência e de adaptação à pressão do ambiente, gerido pelo cérebro primitivo do homem». «Esta medicina é revolucionária na maneira de ver a patologia, na relação do doente com a patologia e do próprio médico com o paciente. Se não conhecermos os critérios do cérebro arcaico que governa a nossa sobrevivência, consideramos sempre que a patologia é diabólica, um castigo; aliás, o medo, a culpa e a desconfiança são sentimentos que perturbam o processo de cura», explica.
Alain Jézéquel exerce em Braga biopsicoterapia e acunpuctura desde 1994. Formado em Psicoterapia breve, em Hipnose Ericksoniana, em EMDR (Eyes Movement Desensitization and Reprocessing) e em TCM (terapia do campo mental), dedica-se, há vários anos, ao estudo dos fenómenos pasico-cerebrais, integrando um grupo de investigação em Bio-Psicogenealogia e Descodificação das patologias.
Além de consultas, dá formação, desde 2006, na área da descodificação biológica das doenças. Autor de dois livros — “Estarei mesmo doente” (Ed. Presença, 1999) e “Memórias de território, uma leitura biológica-cerebral das patologias” (Ed. Climepsi, 2004) — vai publicar este ano um dicionário biológico das patologias, dividido em três partes: sistema digestivo, sistema cardio-vascular e linfático e sistema cutâneo. Este mês vai ministrar um curso, em Braga e em Lisboa, intitulado “A Sim-Bio-Lógica do Sintoma - Descodificação dos stress biológicos e genealógicos” .
O formando será convidado a adoptar uma nova atitude face à doença que lhe permita, por um lado, questionar e entender os seus sintomas, por outro, adquirir um olhar mais autónomo sobre si próprio.
Alain Jézéquel propõe um outro olhar sobre a saúde, a doença e o sistema de autodefesa e de regeneração do organismo humano. Questionando alguns princípios da medicina convencional, o terapeuta promove uma atitude terapêutica vocacionada para o fortalecimento das defesas do corpo e para a clara identificação da origem psico-cerebral dos distúrbios.